Esplendor do Caos

o caos passeia-se... mas pode ser encontrado em esplendordocaos@netcabo.pt

10.6.03

Feriado
O 10 de Junho começa com a minha filha a gritar que o mano está a comer uma amêndoa. Não o faz uma nem duas vezes. Fá-lo as vezes suficientes para eu já não ter outra alternativa que não levantar-me a resmungar que nem num dia feriado eu consigo dormir um pouco mais. Enfim, nada a que não esteja já habituado, também. Hoje, infelizmente, tenho trabalho para fazer (e que ainda não comecei, porque estou há uma hora na blogosfera - será grave, doutor?). Digo infelizmente, porque o que gostaria mesmo de fazer hoje era dar um passeio pelo campo e tomar um banho de rio. Se algum dia algum presidente desta nossa república me quiser condecorar, respondo-lhe isso mesmo: Lamento, Sr. P., mas nesse dia vou dar um passeio pelo campo e tomar um banho de rio.

9.6.03

Mil Folhas
Porque será que o Mil Folhas se dedica tão religiosamente a autores estrangeiros (muitos dos quais ainda não estão traduzidos para português) ao mesmo tempo que ostensivamente despreza a maior parte dos portugueses?
Porque será que destes pouco afortunados nascidos em solo lusitano, são tão escassos os que merecem alguma atenção?
Porque será que se dá ao trabalho de fazer uma pequena recensão sobre uma novidade da Oficina do Livro, cuja capa ostenta não sei se salsichas se cenouras, para simplesmente o desancar como mais um sucedâneo da corrente light, ao mesmo tempo que ignora olimpicamente outras novidades editoriais que não se revêem naquela corrente, mas também não são editadas por aquela editora ou qualquer outra de peso?
Será que para esses senhores o que é nacional é necessariamente mau?
Eu sei que há muitos títulos e que não se pode ler tudo, mas não compete aos senhores jornalistas ou críticos ou o que quer que eles sejam, investigar um pouco mais, fazer um esforço por saber o que se anda a passar no burgo literário local?
Será que tudo isto deriva de alguma desgraçada mistura de pretensiosismo com preguiça? Ou será manifesta incapacidade para a função que desempenham? Arrisco ainda outra hipótese: será medo? Temerão eles cair no ridículo de gostar de uma coisa da qual mais tarde se aperceberão de que não se pode gostar, ou o seu contrário: não gostar do que não se pode não gostar?
Francamente, não sei. Mas gostava de saber. Alguém sabe?

5.6.03

Abrir uma porta com o rosto virado para a parede

abrir uma porta com o rosto virado para a parede
para quem se acha muito conhecedor
observe que não é nada fácil

como identificar cada sombra
cada jacto que difira do anterior

a linguagem está cheia de equívocos
e palavras lançadas ao acaso
para a fogueira que a inutilidade derrete

a vaga persistência de memórias eternas
é pouco mais que um tormento de contornos tão deliciosos quanto vagos
beba-se um gole do mágico elixir da inspiração e perceba-se que

perceber não é fácil
mais fácil é vaguear numa penumbra amordaçada para o infinito dos tempos

dizer é arte complexa que pouco ou nada tem a ver com escrever

O que faço aqui
Aqui estou eu a fazer pela vida. Confesso agora como me surgiu esta originalíssima ideia de ter um blog. Fui à terceira sessão do É a Cultura, Estúpido (já tinha ido às duas anteriores) e fiquei a saber que há por aí uma comunidade de gente addicted to blog como eu não imaginava. Deu também para perceber que muito do que por aí grassa é o gosto pela polémica, umas vezes justificada, outras nem por isso. Por mim, confesso que não sei muito bem qual é a minha motivação mais funda para me meter nisto. Percebo que há por aí uma pandilha de amigos que troca piropos através deste meio e que assim se entretém. Eu, com alguma excepção, não conheço ninguém (e quem conheço, conheço pouco). Nem sequer estou a fazer-me convidado a entrar nesse meio. Portanto, a razão que poderá subsistir para ter um blog será, julgo eu, tão-só pensar em voz alta e pensar para fora destas quatro paredes. E, quiçá, encontrar outros pensamentos confluentes com o meu.

Já agora... Haverá alguém que me ajude a tornar este blog formalmente mais agradável? Agradeço as sugestões que me enviem para o e-mail acima indicado.

Olá. Este é um novo blog de alguém que é completamente incipiente nestas coisas. Não sei sequer o que hei-de começar por dizer. Pareceu-me que seria fácil criar um blog e começar a discorrer sobre os acontecimentos de Portugal e do Mundo, ao sabor das inspirações de cada momento. Mas este primeiro momento, afinal, está a revelar-se mais difícil do que eu esperava. De qualquer modo, à falta de melhor, aqui fica esta primeira mensagem para a posteridade. Uma mensagem que tem certamente mais de caos do que de esplendor. Mas, quiçá, um dia destes por aqui apareçam também alguns traços de esplendor. Até breve.